Churrascão de Gente Diferenciada

Manifestaçao realizada no sábado, 14 de maio de 2011.

A decisao do Metro de mudar o local de construçao da futura estaçao da linha laranja gerou diversas reaçoes.

As primeiras notícias veiculadas pelos meios de comunicaçao de massa (grandes jornais e canais de televisao) informavam que o Metro havia supostamente cedido à pressao de moradores organizados do bairro de Higienópolis que eram contra a presença de uma estaçao naquele local (avenida Angelica, proximidades da Rua Sergipe). Algumas entrevistas televisivas que registraram o depoimento de alguns moradores contrários à estaçao, contribuiram para acirrar os ânimos. Parte desses relatos expressou um preconceito social e de classe contra uma populaçao indesejada (ambulantes, mendigos, bêbados) que passaria a transitar com maior presença no bairro. Um depoimento, em especial, referiu-se aos cidadaos como “pessoas diferenciadas”.

Tais depoimentos, uma vez em circulaçao, ganharam nova dimensao nas redes sociais digitais (Facebook e Twitter), quando diversos individuos espontaneamente começaram a protestar contra a mudança do Metro, contra o lobby de um pequeno grupo de moradores e contra os discursos preconceituosos. Em tom inicial de brincadeira, foi lançado um convite aberto de protesto – Churrascao – na frente do shopping Higienópolis. O convite ganhou rápida adesao e em poucos dias mais de 50 mil pessoas haviam confirmado a presença no evento. A pessoa que lançou o convite ficou preocupada com a dimensao que a açao começava a ganhar e tentou cancelar o evento. Já era tarde demais! O protesto já nao tinha donos e nem bandeiras previamente definidas. Nesse momento, o protesto saiu dos circulos das redes sociais digitais e volta a alimentar os meios de comunicacao de massa, gerando um processo de retroalimentaçao.

No dia do protesto, sábado, cerca de 1000 pessoas (talvez mais do que isso tenha passado pelo evento), se reuniram na frente do shopping e depois se deslocaram para o cruzamento das ruas Angelica e Sergipe. Nesta esquina foram montadas pequenas churrasqueiras, havia batucada, rodas de música, dança, cerveja e muita gente alegre festejando a rua. O transito ficou absolutamente interrompido durante toda a tarde até a noite. Além dos indivíduos que convergiram espontaneamente para o local, podia-se a presença de pequenos grupos organizados que ajudaram a dar maior volume ao protesto: ativistas da Bicicletada, do movimento de luta pelo transporte público (Passe Livre), artistas de rua e de coletivos, trabalhadores do Sindicato dos Metroviários e militantes de diversas lutas pela Cidade (Plano Diretor, associaçao de moradores). Havia uma grande presença da polícia nos quadro cantos que circulavam a esquina, filmando e fotografando o evento e seus participantes. Até o momento que estive presente nao houve qualquer açao física direta contra os manifestantes.