15M – Copa para Quem?

O que aconteceu ontem na manifestação da Paulista foi um ato de repressão policial e violação dos nossos direitos constitucionais de livre expressão,  organização e de movimento (ir e vir).

Estive ontem na Av. Paulista para acompanhar as manifestações críticas à COPA. Cheguei por volta das 17:30. O clima era tranquilo e alegre. Fiz algumas fotos e conversei com diversas pessoas. Toda a praça do Ciclista estava cheia. O trecho da av. Paulista entre a esquina da Consolação e a rua Bela Cintra estava tomada por pessoas.

Um pouco antes das 19hs a marcha iniciou a caminhada, dobrando a esquina e descendo a Consolação. Clima tranquilo entre as pessoas. Eu estava com alguns amigos a mais ou menos 50-80 metros do grupo da frente. Por volta das 19:15hs estouraram as primeiras bombas de efeito moral, a menos de 100 metros de nós, na parte dianteira da marcha. Até aquele momento não presenciei qualquer ato que pudesse ser considerado agressivo por parte dos manifestantes. Seguiram novas bombas, muita correria, e logo em seguida bombas de gás. Uma delas caiu acerca de 30m de nós.

Difícil acreditar nas versões veiculadas pela imprensa de que a polícia estava reagindo às agressões dos manifestantes. Mesmo que houvesse alguma situação de enfrentamento num ponto específico da marcha como explicar o lançamento de bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio em áreas mais afastadas da marcha? Tudo indica que a polícia estava decidida a não deixar a manifestação caminhar por muito tempo, muito menos para o centro da cidade. Agiu de maneira repressiva para dispersar os manifestantes passando a caça-los em seguida.

Alguns minutos após as primeiras bombas eu e meus colegas subimos a Consolação em direção à Paulista. Por instantes, consideramos que não era prudente dobrar a rua para pegar a Bela Cintra, pois havia muitos policiais por lá e não sabíamos quais eram os ânimos e como poderiam nos receber. Me senti numa armadilha. Acuado, sem poder caminhar livremente, com meu direito de livre expressão totalmente reprimido. Com um misto de medo e indignação, separei-me dos meus amigos e peguei o metro na estação Paulista (entrada pela Consolação) para vir embora. Minutos depois, soube que a tropa de choque entrara nesta mesma estação caçando manifestantes.

Como os jornais paulistas privilegiaram as imagens produzidas após a confusão começar, a impressão que fica é que a manifestação foi um caos. Isso não é verdade. A manifestação era pacífica, alegre e acima de tudo legítima. Seguem algumas fotos que fiz antes da polícia entrar em ação.